Rehenes
Lembro-me como se tivesse acontecido ontem: Fujimori, o então presidente do Peru, caminhando escadaria a cima no interior da embaixada do Japão em Lima, Perú, depois de terminada a "crise" que em 1996 ocupou uma parte não desprezível das atenções mediáticas do mundo. Os guerrilheiros Tupac Amaro prostrados, na estranhas posições em que os corpos inertes tombam, e Fujimori triunfante, passando-lhes por cima, num gesto de desprezo que nunca mais esqueci. Creio que em 96, e a propósito da "crise" da Embaixada do Japão, percebi talvez pela segunda vez - a primeira foi ainda nos anos 80, muito miúdo, quando me meti num debate entre adultos sobre a Perestroika e o destino da URSS - que o meu pensamento e a minha forma de sentir se afastava radicalmente do pensamento da maioria relativamente às formas de luta adoptadas pelos humildes em situações de desespero e bloqueio, como era em vários países latino-americanos na miserável década que se seguiu à vitória da tese d...