Sunderland e a narrativa escolhida
A segunda temporada de "Sunderland Till I die" está aí e já li que a terceira pode ser antecipada, aproveitando as quarentenas por esse mundo fora. A Netflix não brinca em serviço e os filmes-documentais desportivos (e agora também a ficção, com "The English Game") são hoje um produto de consumo apetecível e com saída. Mérito a quem se lembrou de explorar o filão. Confesso que gostei da primeira temporada da série. Se o nome do clube não me era de todo estranho, a sua realidade - desportiva, institucional, económica e social - foi uma completa surpresa. Esta ignorância relativamente ao que era o Sunderland beneficia de certa forma os criadores da série. É que não estava - não estávamos, a esmagadora maioria dos espectadores - em condições de perceber se a narrativa adoptada relativamente ao clube, à comunidade e aos problemas quotidianos da empresa que gere o nome e o emblema correspondiam ou não à verdade dos factos. E isso torna-nos, meros espectadores, num género...