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"E entretanto, do outro lado do mar, morreu um rio..." [1]

Por vezes interrogo-me se a maior tragédia deste planeta não será o Homem. Faço-o sem pingo de misantropia, sem distanciamento face à espécie a que pertenço, apenas porque me sinto incapaz de compreender a Humanidade e a mim próprio dentro dela. Não sei o que nos resta de bom senso, de sentido de bem comum. Creio que quase tudo se vai perdendo com cada espécie que ajudamos a extinguir, com cada floresta que dizimamos, com cada rio que afogamos em lixo. Ninguém fará um minuto de silêncio pelo rio assassinado, embora todos saibamos que sem água não há vida, e que é contra a própria vida que atentamos sempre que, com ou sem consciência disso, torcemos a lâmina que desde há muito enterrámos na carne tenra de um planeta que procura desesperadamente sobreviver-nos. A capacidade regeneradora da natureza acabará por ressuscitá-lo - ao Rio Doce -, provavelmente quando não sobrar um homem para ver nessa ressurreição uma boa "oportunidade de negócio". A natureza olha-nos como o pr...