A trincheira infinita
Este período de "reclusão" a que somos forçado pelo vírus tem sido atípico face a qualquer expectativa que em abstracto pudesse ter criado relativamente a uma circunstância semelhante. Ainda não li um livro de fio a pavio, ainda não vi um filme do primeiro ao último minuto. A verdade é que me falta algum tempo (por mais estranho que pareça) e sobretudo disponibilidade mental. Ontem quase abri uma excepção. Reli uma dezena de capítulos de "O mundo sem nós", de Alan Weisman, e vi metade de "A trincheira infinita", filme espanhol que ficciona a história verídica de Manuel Cortés Quero e dos seus trinta anos de confinamento domiciliário. O filme é violentíssimo se nos imaginarmos na pele de Higinio Blanco, ou Manuel Cortés, no contexto real do pós-Guerra Civil espanhola, a luta fratricida de 1936-1939 que deixou profundíssimas marcas que o tempo demorou (e demora) a atenuar. Trinta anos de clausura para defesa da sua própria liberdade é uma contradição q...