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Oito discos para a quarentena

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A palavra de ordem é lavar as mãos e cobrir a boca no momento de espirrar e tossir, nunca com a mão, sempre com o lado interior do cotovelo. Isso e ouvir "Prog". Deixo dez sugestões para descobrir nos dias de tédio da quarentena que teremos mesmo que fazer. Ora anotem, por favor. 1. Porcupine Tree, "Fear of a blank planet" [completo aqui] O disco é inspirado no romance "Lunar Park", de Bret Easton Ellis, e é um disco conceptual sobre crescer num mundo sem referências e sem um propósito maior.  Provavelmente o melhor disco do Porcupine Tree. 2. Opeth, Pale Communion [completo aqui] O disco vale a Steven Wilson o rótulo do produtor que alterou para sempre o estilo musical dos Opeth. "Pale Communion" é metal, mas não é o velho Metal dos Opeth. A voz suave e as guitarras melódicas, as composições longas e cheias de secções - de que "Eternal Rains Will Come" será o melhor exemplo - aproximam o disco ao "metal progressivo...

"The future bites"

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"The future bites" é o disco que se segue a "To the bone", passo seguinte na extraordinária carreira musical de Steven Wilson, muito provavelmente o mais alternativo dos músicos "alternativos" do rock independente dos últimos 30 anos. Do álbum já conhecemos o nome e parte do conceito artístico, o trailer e agora "Personal shopper", o primeiro single, abordagem electrónica que parece confirmar a aproximação de Steven Wilson a um registo mais "pop". Trata-se na minha perspectiva de uma grande faixa, de um tema que revela um elemento fundamental do contributo de Steven Wilson para a música e para o rock contemporâneo: mais do que compor discos conceptuais, é a própria carreira de Steven Wilson que parece estruturada num formato conceptual, ainda que dinâmico. "The future bites" fala-nos da "felicidade paradoxal" dos tempos que correm, como uma versão poética e musicada dos mesmos temas que podemos encontrar na obra e...

Prog

Em boa verdade pouco ou nada conhecia sobre rock progressivo antes de conhecer um bom amigo que me revelou um maravilhoso mundo novo através de discos como "Selling England by the pound", "Foxtrot", "Nursery Crime" e sobretudo "The lamb lies down on Broadway", todos dos Genesis. Como o caminho se faz caminhando, rapidamente descobri outras bandas, outros sons: bandas clássicas do Prog , como os Camel, e outras descendentes da cena progressiva-psicadélica dos anos 60 e 70, como os Porcupine Tree. Hoje sou apaixonado por discos "progressivos", sou fascinado pela sua suave complexidade, pelo virtuosismo musical que se sobrepõe a qualquer moda de circunstância. O Prog resiste à tentação comercial e por isso é hoje - nas suas múltiplas variantes e subgéneros - um dos últimos bastiões da música erudita. Provam-no os últimos dois discos de Steven Wilson, "The raven that refused to sing and other stories" e "Hand.Cannot.Erase...

Animals

O meu interesse pelo álbum "Animals" (1977), dos Pink Floyd, surge com a leitura de "Children of Men", de P.D.James, e com o estudo da adaptação cinematográfica deste romance, filme homónimo do livro realizado por Alfonso Cuarón. Na versão cinematográfica de "The Children of Men" existe uma referência explícita à capa de "Animals" através da Battersea Power Station (uma central eléctrica localizada em Nine Elms, na Grande Londres). No filme, a central é a "Ark of Art", e entre duas das suas chaminés - tal como na capa de "Animals" - é visível um enorme balão de hélio com a forma de um porco. Livro, filme e disco evidenciam vários pontos de união de que não apenas o conceito artístico e mas sobretudo boa parte da mundivisão explicitada são evidentes sinais. "Animals", que passou a ser muito provavelmente o meu preferido da relativamente extensa discografia dos Pink Floyd, constitui-se como um álbum de tipo conce...