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El hoyo ("A plataforma")

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A cercado que durante anos isolou a luta de classes das várias expressões artísticas com ampla difusão quebrou-se. O cinema destinado a suportes e canais de distribuição de massa não se manteve à margem desta nova realidade e em poucos anos produziu e distribuiu vários filmes que de uma forma ou de outra tratam os conflitos sociais decorrentes da estrutura altamente hierarquizada da sociedade capitalista. A chegada de "El hoyo" ("A plataforma") à plataforma de streaming Netflix é apenas mais um exemplo da forma como a arte que expressa a violência das diferenças sociais existentes se assume como produto de consumo vendável. O filme basco parece uma revisitação do conceito de organização linear da sociedade explorado há uns anos pelo coreano Bong Joon-ho em "Snowpiercer" (2013), película que em vez de um buraco utilizou a imagem de um longo comboio como metáfora da organização social hierarquizada. O diálogo filosófico entre Goreng e Trimagasi, na pr...

"Crime e costume na sociedade selvagem"

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Há uns meses comprei "Crime e costume na sociedade selvagem", um livrinho/brochura do antropólogo Bronislav Malinowski (1884-1942) que centrado no exemplo dos melanésios das Ilhas Trobriand, a oriente da Nova Guiné, pretende desmentir a hipótese de um comunismo "primitivo" espontaneamente levado à prática pelos "selvagens" daquelas paragens do globo terrestre. O livro, de 1926, deve ser lido à luz dos valores e perspectivas desse tempo, caso contrário choca pela linguagem depreciativa e preconceituosa relativamente às gentes "selvagens" da Melanesia. Seja como for é interessante e, para lá do debate académico-ideológico no quadro do qual Malinowski procurou por todas as formas combater o funcional-estruturalismo como abordagem teórica mais ajustada à realidade das ilhas e das suas diferentes famílias e clãs. Para Malinowski, na sua visão "funcionalista", o que a observação directa (e participativa) dos hábitos e costumes dos ilhéus de...

Isto não é uma oportunidade, é um colapso

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Não sou fã de "O eixo do mal". Vejo o programa quando por acaso o apanho e raramente por mais de dez minutos. Esta semana consegui acompanhá-lo quase do princípio ao fim e não dei o tempo por mal empregue. Retive algumas ideias, estando de acordo com umas e em desacordo com outras, e fixei um desabafo de Clara Ferreira Alves que me parece uma boa síntese dos tempos que vivemos e daqueles que se aproximam: "isto não é uma oportunidade, é um colapso". A ideia de colapso não é uniforme a partir de todos os prismas. Há quem a perceba como uma degradação progressiva e há quem a associe a uma derrocada abrupta. Carlos Taibo, anarquista galego que escreveu um livro sobre o tema, dedicou o primeiro capítulo da obra às definições de "colapso", tal a necessidade de se perceber do que falamos quando debatemos ou escrevemos sobre o tema. O colapso é um processo ou um momento? Uma sucessão de acontecimentos ou um incidente de larga escala e profundo impacto? Taibo ...