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Quaresma e o racismo

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É lamentável que um jogador da seleção nacional se envolva em política.  Espero que as autoridades do futebol não deixem que isto se torne o novo normal André Ventura O tema dá pano para mangas e já aqui o temos referido. O pretexto é bom para o retomarmos, não sem antes enviarmos a Ricardo Quaresma um enorme aplauso pela coragem de se exprimir contra o racismo e a boçalidade de Ventura. Pode ou não um futebolista profissional exprimir-se politicamente? O facto de ser futebolista, profissional e jogador com passado na equipa nacional, representativa do país, deve de alguma forma impedir o exercício das suas liberdades individuais? Se um jogador de referência no país decidi-se hoje, por completo absurdo, aderir ao "Chega!" e tornar essa adesão do conhecimento público, viria Ventura lamentá-lo? A história do desporto está repleta de manifestações políticas antes, durante ou depois das competições. Os exemplos são tantos e tão significativos que seria absolutamente fastidiosos r...

"Crime e costume na sociedade selvagem"

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Há uns meses comprei "Crime e costume na sociedade selvagem", um livrinho/brochura do antropólogo Bronislav Malinowski (1884-1942) que centrado no exemplo dos melanésios das Ilhas Trobriand, a oriente da Nova Guiné, pretende desmentir a hipótese de um comunismo "primitivo" espontaneamente levado à prática pelos "selvagens" daquelas paragens do globo terrestre. O livro, de 1926, deve ser lido à luz dos valores e perspectivas desse tempo, caso contrário choca pela linguagem depreciativa e preconceituosa relativamente às gentes "selvagens" da Melanesia. Seja como for é interessante e, para lá do debate académico-ideológico no quadro do qual Malinowski procurou por todas as formas combater o funcional-estruturalismo como abordagem teórica mais ajustada à realidade das ilhas e das suas diferentes famílias e clãs. Para Malinowski, na sua visão "funcionalista", o que a observação directa (e participativa) dos hábitos e costumes dos ilhéus de...

O racismo entre nós

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Quando nos anos 80 os ultras punk do FC Sankt Pauli chegaram em peso às bancadas do Millerntor-Stadion resolveram tomar nas suas mãos a tarefa nem sempre agradável de limpar a grade de grupos racistas que faziam dos jogos da equipa mais representativa do Clube palco para a sua actividade política extremista * . Os ultras resolveram o que nem os dirigentes nem as autoridades quiseram resolver durante muitos anos. E se hoje o FC Sankt Pauli é um símbolo da luta contra o racismo, a homofobia e o fascismo nas bancadas dos estádios deve-o ao adepto comum e anónimo que actuou na bancada em defesa da liberdade e do respeito. O racismo - como a homofobia, que é tema ainda mais tabu no meio desportivo... - não é exclusivo, no que ao futebol diz respeito, deste ou daquele Clube. E se é verdade que algumas massas adeptas não perdem uma oportunidade para se manifestarem abertamente racistas (a Lazio é um caso extremo de combinação de fascismo, racismo e crime organizado), ou antiracistas (o ...