Mensagens

Assembleia Geral Eleitoral 2020: Porque voto A?

No dia 17 de Outubro exercerei, como associado do Clube de Futebol “Os Belenenses”, o meu direito de voto. Faço-o como parte de uma intervenção mais abrangente e quotidiana nos assuntos correntes do Clube.  Votarei na Lista A e em Patrick Morais de Carvalho, cuja recondução como presidente do Belenenses apoio. As razões desta opção são cinco: 1. Porque faço um balanço francamente positivo dos dois mandatos realizados. A realidade do Belenenses de 2014 era pessimista, acabrunhada, encolhida, resignada e refém de terceiros. Em 2020 o cenário é significativamente diferente. O clube encontrou um rumo tanto no plano desportivo como nas vertentes associativa e económico-financeira. Houve coragem para tomar decisões difíceis e há coragem quotidiana para lhes dar corpo. 2. Porque creio que a lista A é aquela com melhores condições para dar continuidade aos vários dossiers em execução no Clube: a caminhada do futebol sénior em direcção às Ligas profissionais; a defesa e promoção do ecletism...

Militância, dedicação e amor

Imagem
De entre os muitos belenenses da primeira hora, aqueles que estiveram na fundação do Clube e na sua afirmação primeiro em Lisboa e depois no país e no mundo, há um nome poucas vezes referido e por muitos belenenses mais jovens ignorado: Joaquim José de Almeida. Estreou-se pelo Belenenses em 1924/1925 tendo alinhado nas grandes equipas azuis que venceram os primeiros títulos de Lisboa e de Portugal, campeonatos de Portugal, ou seja nacionais. Que outros não os reconheçam é problema apenas seu. O Belenenses tem quatro títulos de campeão de Portugal. Estão no nosso museu e na história do futebol português. Joaquim Almeida encontra-se assinalado na imagem, tendo à sua esquerda (à direita, na imagem) José Manuel Soares, o "Pepe". Joaquim de Almeida jogou oito épocas pelo Belenenses, o seu Clube. Mas não foi apenas jogador, foi um belenense de valor, 23º sócio honorário do nosso Clube, reconhecimento que lhe foi concedido - com inteira justiça - no dia 18 de Agosto de 1940, o mesmo...

Do "futebol" nas televisões (i)

Imagem
A SIC Notícias (SicN) vai descontinuar da sua programação os conteúdos centrados na opinião de adeptos de clubes - enfim, de três clubes - procurando assim afastar-se da natureza tóxica do formato. Eu percebo que os custos de reputação associados aos sucedâneos - refiro-me aos programas, deixo de lado as pessoas que os protagonizam - de "Os donos da bola" são imensos. Mas não basta afirmar "vamos corrigir", era importante reconhecer que o problema tem na SIC um dos principais responsáveis. Fazer mea culpa. Infelizmente, a única pessoa que veio reconhecer incapacidade para contornar os vícios deste estilo de painéis foi o Vasco Mendonça. E eu, que acompanho o seu percurso público - enfim, as suas intervenções que são do domínio público - há uns tempos aproveito a deixa para chegar à conclusão mesmo antes do terceiro parágrafo: o problema deste formato, muito mais do que as pessoas que neles participam, é a armadilha que o próprio (formato) representa. Duas horas sema...

17-0, ou como Mourinho se estreou no Belenenses

Imagem
O Belenenses é um enorme clube. Da sua história fazem parte grandes e pequenos episódios de entre os quais destaco no âmbito desta conversa o facto do clube se encontrar associado a estreias - nem sempre felizes para a nossa camisola - de grandes jogadores e grandes treinadores, há época ainda jovens promessas que mais tarde se revelariam grandes figuras da história do futebol universal. Pelé estreou-se na 1ª categoria num jogo entre um misto Vasco/Santos e o Belenenses , vencido pelos brasileiros por 6-1, com hat-trick seu. Muitos anos depois, em Agosto de 1993, seria a vez de Ronaldo "fenómeno", que no Restelo esteve na vitória do Cruzeiro sobre o Belenenses por 0-2, assinalando o seu primeiro de muitos golos no escalão sénior... Outra estreia - ou estreias, como veremos - relevante foi a de José Mário dos Santos Mourinho Félix, hoje conhecido por José Mourinho, e que entrou na maior vitória do Belenenses em jogos da Taça de Portugal ocorrida a 7 de Novembro de 1982, no Res...

Old Spotted Dog Ground

Imagem
O meu coração só tem uma cor: azul. Sou belenenses da ponta das unhas dos pés à ponta dos cabelos que já me saem pelos ouvidos, que a idade não perdoa. Ou aos da cabeça, que ainda tenho em abundância. Sou belenenses desde que me lembro de ter clube e serei belenenses até sair deste mundo esticadinho e aprumado, oxalá que com o emblema do Belém na lapela e uma bandeira debaixo do braço. Não quer isto dizer que padeça de um sectarismo que me impeça de olhar para os clubes à minha volta sem lhes reconhecer méritos, elementos característicos com os quais me identifico, dificuldades semelhantes às do Belenenses, aspectos identitários que os aproximam ou do clube do meu coração, ou da visão que para ele tenho. Se amor só sinto pelo Belenenses, simpatia sinto-a por mais de uma dezena de emblemas, portugueses, europeus e mais além. Gosto do COL, que aliás se estreou frente ao Belenenses, nas Salésias, com números na camisola. Gosto do FC Sankt Pauli, do Rayo, do Unionistas de Salamanca, do Osa...

A questão 'geracional'

Nunca fui um defensor da ideia de que gerações diferentes têm em princípio visões também elas diferentes sobre uma mesma questão. Não penso que o que faz diferir o essencial da análise seja a idade de quem pensa, antes a sua condição e posicionamento económico e social face ao objecto do debate. Dito isto, não ignoro que haja uma dimensão geracional relevante que também integre a equação como elemento importante na modelação do pensamento de cada pessoa sobre determinada questão, evento ou processo histórico.  O historiador brasileiro Luiz António Simas referia sobre a questão do velho versus o novo Maracanã o facto do seu filho, menino de 9 anos, já não aguentar ouvi-lo acerca daquilo que se perdeu no proxesso de arenização do Estádio. Esta forma de estar perante a questão resulta de uma circunstância inultrapassável: o pequeno Simas nunca experenciou (nem poderá alguma vez fazê-lo) - ao contrário do pai - a vivência da arquibancada do velho Macaranã.  A compreensão da questã...

Saúde, Marinho!

Imagem
Em 1989 eu tinha 11 anos e o Belenenses ganhou a Final da Taça de Portugal ao Benfica, 2-1, com aquele balázio do Juanico que o Silvino ainda não viu entrar, já passaram 30 anos. Hoje é pior, mas em 1989 ser-se do Belenenses aos 11 anos de idade era assumir o estatuto de exemplar exótico na sociedade lisboeta e portuguesa. Numa turma de vinte e cinco alunos seriam dezassete do Benfica, oito do Sporting, um ou dois do Porto e, do Belenenses, um em cada cinco turmas. Já éramos poucos, e gozados. A memória do Belenenses dos anos 20 e 30, quando era o maior de Lisboa e de Portugal, havia-se afundado de forma evidente. E apesar de estarmos claramente acima dos pretendentes ao estatuto de "quarto grande" - expressão de que não gosto - estávamos já distantes dos clubes a que em Portugal se convencionou chamar "três grandes". Eu não estive no Jamor - aliás, no Jamor assisti apenas a um jogo nesta vida, a final da Taça de 2007, de má memória, com aquele golo solitário do Lie...